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Teste ao Kodak Vision 3 500T

Nikonos + 35 2.5 /15 2.8, por João Traveira

O Kodak Vision 3 500T é um filme rápido, balanceado para tungstênio (o que significa que funciona muito bem à noite, com luzes de néon brilhantes). Este é o stock que dá origem ao Cinestill 800.

Caracterizado por uma estrutura de grão fino, ampla faixa dinâmica e sensibilidade nominal flexível de um índice de 500, possui uma ampla latitude de exposição com excepcional controle das altas luzes numa variedade de condições de iluminação, variando de iluminação externa de alto contraste até situações de luz interna mista.

É um filme bastante versátil, possível de expor entre 400 e 800 sem perda de qualidade. Fotografado durante o dia, o resultado pode ter um cast azulado, mas com o filtro .85 essa situação é corrigida (considerar um EI de 320).

O nível de tecnologia presente nesta película confere-lhe uma robustez que permite que se empurre a revelação 1 ou 2 stops, com alterações ao nível do grão e cor.

 

Algum exemplos realizados com o 500T:

Nikon F5 + 50mm1.8G

Nikon F5 + 50mm1.8G

Nikon F5 + 50mm1.8G

Nikonos + 35 2.5 /15 2.8 + 500T@1600, por João Traveira

Nikonos + 35 2.5 /15 2.8, por João Traveira

Olympus OM-1, por Roberto Fiuza

Olympus OM-1 + 500T@1600, por Roberto Fiuza

Olympus OM-1, por Roberto Fiuza

 

Resumindo

Em suma, o Kodak Vision3 500T teve um desempenho notável. É uma película bastante versátil, como referimos antes, adequada a uma variedade de situações e de luz. Tem um grão fino, retém bastante informação nas sombras e pode ser fotografado com um índice de exposição de 800 a 1600 facilmente. 

 

Para além disso, a grande vantagem em relação aos demais, é que podes comprar um SP500T já com processamento incluído ao mesmo preço (quase) que um Cinestill 800!

Vê no nosso flickr mais fotos feitas com esta película, disponível para compra aqui.

 

 

Teste ao Kodak Vision 3 50D

 

O Vision3 50D é um filme de baixa velocidade da Kodak. Os filmes cinematográficos, quando bobinados em cassetes de 35mm, podem ser usados em câmaras fotográficas normais. Esta película possui um ISO realmente baixo ( 50 ), que é recomendado para cenas com luz do dia, ou situações cujo objectivo é fotografar retratos à luz do dia sem usar filtros ND. 

O "D"  vem de "Daylight”: este filme é balanceado para exposição com iluminação da luz do dia (5500K).

É uma película maravilhosa, que rende cores num modo muito realista.

 

A seguir, alguns exemplos feitos com 50D:

Ricoh ff 9s 50D@100, por Roberto Fiuza

Ricoh ff 9s 50D@100, por Roberto Fiuza

Canon AE1 c tokina 28mm 2.8, por Magda Pacheco

Nikon F100 + 35mm F, por Sabino Silva

Nikon F5 + 50mm1.8G

Konica Hexar AF

Leica M6 + 35mm cron

Olympus OM-1, por Roberto Fiuza

Olympus OM-2, por Nuno Cruz

Konica Hexar AF

 

Resumindo

Em suma, o Kodak Vision3 50D teve um desempenho incrivelmente bom. Tal como com outras películas da kodak, os tons são predominantemente quentes.

SIM ⇑

Retratos feitos com o diafragma aberto, mesmo com luz forte, com tons de pele agradáveis e baixa velocidade.
Ideal para paisagens, com margem para pós produção.
O grão é quase inexistente. 

 

NÃO ⇓

Se gostas de fotografar algo que requer velocidade.
s câmeras compactas e a sua abertura lenta terão problemas com este filme, mesmo à luz do dia.
Os rolos não têm código DX.

 

Vê no nosso flickr mais fotos feitas com esta película, disponível para compra aqui.

 

 

Kodak Vision 3 chega à Sagrada Película

 
Este projecto começou há uns meses atrás, quando comprei uma lata de Fuji Eterna, com o objectivo de bobinar e vender. Pensava eu em lançar uma película com um nome original. No fundo, pensava fazer o que qualquer marca respeitável no contexto da fotografia analógica faz hoje em dia: lançar uma película em nome próprio.
 
Dei muitas voltas à cabeça, mas nenhum nome me parecia suficientemente original e poderoso… Acabei por não chegar a conclusão nenhuma. 
 
Fiz nessa altura os primeiros testes, revelando película de cinema Fuji com química C-41 e removendo a remjet com bicarbonato de soda :D. Os resultados foram animadores, mas sabia no meu âmago que revelar com química C-41 era estar a tomar atalhos. Apesar de o resultado final poder ser quase perfeito, estaria a fazer um processo cruzado, porque, no fim de contas, película de cinema deve ser revelada com ENC2 ( revelador CD-3) e não C-41 (revelador CD-4).
 
Rapidamente se tornou claro que, se era para avançar, era para fazer bem. Os passos seguintes seguiram-se naturalmente: pesquisar sobre o processo, encomendar umas latas de Kodak Vision 3 e química ECN2, testar.
 

Os desafios

 

Escala

Tratando-se de película para cinema, tudo no processo é massivo. Estamos a falar de bobines de 122m, o que implica o uso de máquinas de revelação com tanques enormes. Neste processo, lido com recipientes de química de 30L que se destinam a ser diluídos em tanques de 100L. O desafio de diminuir a escala e realizar as medições com rigor é importante para garantir que a química se encontra nas condições ideais. 
 

A infame remjet

Para além da questão da escala, temos a remjet, cujo nome cujo nome se deve ao facto de, no processo original, ser removida com um jato de água ( remove-jet>remjet). 
A remjet é uma camada em carbono adicionada na base da película de cinema, que funciona como anti-halo e anti-estático, que lubrifica e protege contra riscos.
 
 
Se, numa câmara analógica, o filme se move relativamente devagar  (máx. 3-4 fps durante alguns segundos), numa câmara de filmar é diferente. A remjet actua como anti-estático durante esse movimento. Nalguns casos, as velocidades do filme são extremamente rápidas e precisam de protecção extra.
No caso da Cinestill, que vende as películas sem esta camada, é normal aparecerem ocasionalmente manchas vermelhas nas fotos, causadas pela reflexão de luz dentro da câmara.
 

O processo

Habituado a processos lineares como o C-41 ou o E-6, em que todos os químicos se encontram à mesma temperatura, no ECN2 o revelador deve estar a 41º e é o passo mais importante, em que pequenas variações de temperatura poderão conduzir a mudanças de cores. É preciso bastante atenção para que o processo decorra sem problemas. Depois do revelador, o processo é mais tolerante, podendo os restantes químicos estarem a 38º. 
No início do processo é dado um banho para amolecer a remjet e a mesma é retirada antes da revelação. É por este motivo que estas películas não devem ser reveladas em minilab: assim, contaminariam a química.
 
 

Testes

Foram convidados alguns fotógrafos amigos para testarem a película, pois interessava perceber o máximo de situações possível e o comportamento da mesma em relação a sombras/luz, bem como o modo como interpretava as cores.
No primeiro teste de revelação, ocorreram alguns problemas. No último passo, quando passei o squeegee, parecia que estava a apertar o pescoço a um choco. Depois de uma breve análise, verifiquei que os artefactos presentes eram restos de remjet que não foi removida por completo. As cores estavam perfeitas.
 
 
Na segunda sessão, essa situação foi corrigida e os resultados foram perfeitos:
 
 
 
Inspirados pelo início da kodak, vamos vender a película com processamento incluído (processamento = revelação + digitalização), de preferência em packs de quatro. Também vai ser possível comprar apenas um filme (com ou sem processo incluído).
Não criámos nomes espetaculares. Os filmes herdam os nome que lhe dão origem e vão ser chamados assim:
 
SP50D / SP250D / SP200T / SP500T
 
 
Primando pela qualidade, se revelamos slides com 6 banhos, vamos revelar película cinematográfica na sua química nativa - ECN2. Os rolos são bobinados manualmente, têm 36 exposições e estão disponíveis aqui.
 
 

À conversa com Fernando Martins

Nasceu em 1972. 
Frequentou o curso de Design de Comunicação da Faculdade de Belas Artes de Lisboa.
Representou Portugal na Bienal dos Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo em 1992.
Começou a interessar-se por fotografia e aprendeu a técnica fotográfica na disciplina de Fotografia do curso de Design de Comunicação da Faculdade de Belas Artes de Lisboa em 1992.
Trabalhou em agências de Design e Publicidade como Pós-produtor fotográfico e Ilustrador sendo freelancer desde 2002.
Colaborou como Ilustrador em inúmeros jornais e revistas em Portugal. 
Em 2006 criou e leccionou Workshop de Edição de Imagem no AR.CO  (Centro de Arte e Comunicação Visual).
Em 2016  publicou na Abysmo o Photobook Cidade Sombra com uma exposição homónima individual na Cordoaria Nacional em Lisboa.
Em dezembro de 2019 inaugura a exposição Release The White Rabbit no auditório Municipal Augusto Cabrita no Barreiro
Vive e trabalha em Londres desde 2015 dedicando-se à fotografia, pós produção fotográfica e ilustração digital.
 

De onde vem o interesse pela fotografia?

O interesse pela Fotografia surgiu em alturas diferentes, primeiro, ainda muito novo, como quase toda gente, através da câmara dos pais, uma Agfamatic 55C e um ou dois rolos para as férias de verão que eram democraticamente divididos por todos; penso que vem daí a disciplina, o respeito por cada frame e o nível de exigência no enquadramento. Numa segunda fase, no fim da adolescência, fui muito influenciado pela estética das bandas Indie e Pop Rock do final dos anos oitenta, as capas de discos e os videoclips, assim como pelas produções de moda em revistas como a Vogue Hommes, Arena ou a Face; recordo nomes como Anton Corbijn, Helmut Newton, William Klein ou Bruce Weber, tudo isto, a juntar ao meu interesse pelo cinema, pela Nouvelle Vague, o Expressionismo e o Film Noir foi determinante na definição de uma estética e para que começasse a fotografar com uma abordagem, digamos assim, mais artística. De seguida, a entrada na Faculdade de Belas Artes e a disciplina de Fotografia fez com que aprendesse o que me faltava, desde a Pinhole Camera às técnicas de revelação e impressão, ao mesmo tempo que usava a fotografia em trabalhos de diversas disciplinas do curso. Há cerca de dez anos, depois de muito tempo sem fotografar comprei uma série de câmaras antigas na Feira da Ladra que me fizeram despertar novamente para a fotografia, Agfa Billy, Canon Canonet, Pentax S1A e uma Konica Auto S2, esta última que usei exaustivamente durante um ano e tal. Mais tarde, desenvolvi o meu primeiro projecto, Cidade Sombra, cerca de dois anos de percursos diários a fotografar em Lisboa que resultaram numa exposição individual na Cordoaria e a edição do respectivo photo book na Abysmo em 2016.

Como descreves a tua fotografia?

É sempre difícil descrever a minha fotografia, com receio de me tornar demasiado explicativo ou de me substituir à sua autonomia e mistério, mas procurando reconhecer uma consistência no estilo, padrão ou recorrência de temas, eu diria que é o registo de um certo quotidiano ignorado, revelado numa estranha inquietação por uma estética sombria e algo ameaçadora.

Que equipamento e objectivas usas nas fotos que mostras aqui.

Nikon FM2n, Nikon F5, essencialmente, objectivas de 20 e 35 e 50 mm, mas fotografo muito também com a Leica M6, Olympus OM-2N, OM-1, Mamiya C33 e Yashica Mat 124 G

e películas preferidas?

Uso bastantes, gosto de experimentar, mas as mais recorrentes são o Kodak Tri-X, o Ilford HP5 400, FP4 125, o Kodak TMax 100 e 400,

Release the White Rabbit parece uma diário de uma Londres sombria e alternativa. É esta a tua Londres?

O Release the White Rabbit surgiu de um primeiro projecto, logo que cheguei a Londres há cinco anos, pensei em criar um corpo de trabalho documental sobre cada um dos boroughs (distritos ou freguesias), focando-me nas particularidades sociais, na arquitectura, nas comunidades etc., um projecto megalómano quando estamos a falar de fotografar 32 áreas numa cidade de 1570 km2 (!). Ao fim de alguns meses a viver aqui passei a a olhar para a cidade de uma forma menos compartimentada, sentindo para além do problema da escala, que aquelas fronteiras se diluíam e que o projecto já não me interessava tal como o concebera inicialmente. No entanto, como ando sempre com uma ou duas câmaras na rua, nunca parei de fotografar, intuitivamente, já sem pensar no projecto. À medida que fui revelando as fotos, apercebi-me de um conjunto de imagens que pareciam comunicar entre si, mostravam um lado bizarro e menos conhecido da cidade que me pareceu mais consistente para desenvolver um projecto, sem as limitações a que de início me tinha imposto; assumia desta forma um olhar muito mais pessoal, de alguma forma a minha Londres, para responder à tua pergunta, e que resultou na exposição Release The White Rabbit.

O meu processo de trabalho passa muito por esta espécie de avaliação posterior, de olhar para as fotos meses depois de as tirar e ir fazendo ligações, formar pares, criar pequenas narrativas. Aqui o título Release the White Rabbit evoca o coelho branco como símbolo da abertura para um mundo paralelo, faz-nos olhar para além do que é óbvio, e é também a manifestação de um lado mágico, um passo no oculto. Uma amiga minha depois de ver a exposição disse que sentia que havia algo que a perseguia, é este o tipo de feedback que me agrada, sentir que há uma presença que habita aquelas imagens ainda que por ali quase nunca se vejam pessoas.

Porque insistes em fotografar com película?

Apesar de também usar o digital, é a película o que utilizo no dia a dia. Há uma certa magia que se perde quando fotografo em digital, fico para ali a disparar e a olhar constantemente para ver o resultado, cria-me ansiedade. Já o analógico é essencial no meu processo criativo, gosto de estar dez ou quinze minutos à procura do enquadramento perfeito, tenho uma maior envolvência com o espaço e sinto-me muito mais ligado ao que está do outro lado, como se houvesse um diálogo com aquilo que fotografo, agrada-me a disciplina dos 36 frames por rolo, de esperar às vezes vários meses pelo resultado, literalmente pela revelação. Por outro lado também gosto mais dos resultados da película, do preto e branco em particular. É um facto que já fiz trabalhos a um nível profissional e comercial em que o digital me serviu melhor, mas aí os pressupostos são totalmente diferentes, mais ligados a questões práticas como a falta de tempo ou a exigências técnicas que no meu trabalho mais pessoal não são relevantes.

Referências na fotografia? algum fotógrafo decisivo na tua vida para também quereres ser fotógrafo? Ou foi algo natural que aconteceu?

Não me ocorre apenas um fotógrafo decisivo para ter começado a fotografar, as minhas referências são abrangentes a outras áreas, ao cinema, à literatura, à banda desenhada… o Jacques Tourneur não será menos decisivo para mim do que o Robert Frank, por exemplo. Quando penso em fotógrafos de que gosto ocorrem-me sempre tantos nomes, e com registos tão diferentes: Christer Strömholm, Anders Petersen, Daido Moriyama, Alfred Stieglitz, Diane Arbus, Harry Gruyaert, Paulo Nozolino, Brian Duffy, Duane Michals, Lee Fiedlander, Alec Soth, William Eggleston, Brassaī, Nan Goldin... Acabei há pouco de ler a biografia do Don Mc Cullin, um senhor com uma história de vida e obra impressionantes; a Tate Britain dedicou-lhe uma exposição notável o ano passado.

Projectos para o futuro?

O Release The White Rabbit é um ongoing project, a última imagem da exposição é um marquee iluminado com a frase Follow the White Rabbit, portanto vou continuar por aí.

O que te inspira?

Correr, é a altura em que me consigo abstrair das preocupações, parece que o cérebro se organiza espontaneamente durante a corrida e ao mesmo tempo fluem imensas ideias É um prazer e uma necessidade diária.
 
 

Algumas fotos de Cidade Sombra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Algumas fotos de Release the White Rabbit

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Todas as fotos de Fernando Martins e publicadas com a autorização do autor.

Análise à PhotoKlassik International

 
A PhotoKlassik International é uma publicação única no mundo, dedicada exclusivamente à fotografia analógica, que surgiu depois do sucesso que a  PhotoKlassik (em alemão) teve na Alemanha, Áustria e Suíça.
 
 
Passando por uma campanha na plataforma de financiamento Kickstarter, rapidamente o editor Marwan El-Mozayen e a equipa perceberam que o projecto tinha pernas para andar, pois a aceitação que teve por parte da comunidade foi enorme. É de referir que os conteúdos da versão internacional são independentes dos da versão alemã.
 
Com a colaboração de fotógrafos espalhados pelo globo, como Bellamy Hunt ou Nico Llasera, a revista aborda várias temáticas: desde os tópicos mais técnicos (por exemplo sobre química e6 tetenal), aos artigos sobre equipamento, a par de fotografias de fotógrafos consagrados ou emergentes. Tudo isto em mais de 100 páginas impressas em papel de qualidade.
  
 
 
Podia-me alongar neste artigo a detalhar como o design está bem conseguido, como o layout é simples e agradável, o uso de fontes serifadas e não serifadas e outros elementos gráficos contribuem para uma experiência óptima de leitura, ou até a falar da gramagem do papel, que é superior ao de uma revista corriqueira. Para evitar que este artigo se torne um pouco chato, deixemos também outros pormenores de carácter mais técnico que tornam esta revista distinta das outras.
 
Relevemos antes o essencial: PhotoKlassik International é uma revista feita de fotógrafos para fotógrafos e nota-se claramente que a equipa nutre grande amor pela película. Além disso, como tenho achado o staff bastante acessível e prestável, sou mesmo capaz de dar um salto à Alemanha em 2020 para fazer um workshop com eles.
 
 
 
Por isto tudo, a Photoclassik international é uma revista para comprar, ler e guardar.
 
 
Podem ver um cheirinho aqui e comprar aqui.
 

Teste ao APX 100

Pela minha experiência como consumidor, sempre tive ideia do APX 100 como uma película de segunda escolha. Não sei porquê, mas quando penso em comprar película pb, penso primeiro em películas da kodak como o Trix ou Tmax. Acho que isto decorre da fama de anos de películas míticas, popularizadas por grandes fotógrafos, com bastante informação espalhada pelas internetes. Por outro lado, se estiver com problemas de orçamento, penso em filmes mais baratuchos, como os da foma. Raramente penso em ilford, ketmere ou apx.
 
 
O APX 100 foi recomendado por um amigo e actualmente é uma das minhas películas preferidas. Vejamos porquê:
 
teste ao apx 100
 

 

 
teste ao apx 100

 

teste ao apx 100
 

 

teste ao apx 100
 

 

teste ao apx 100
 

 

teste ao apx 100
 

 

teste ao apx 100

 

É um filme bastante versátil, com um desempenho muito bom, imbatível na relação qualidade/preço. É super nítido (com a luz certa) e produz um negativo fantástico quando bem revelado. Os resultados têm um contraste equilibrado, com um grão agradável e com bastante detalhes nas sombras, sem altas luzes exageradas. O melhor de tudo é não necessitar de grande tempo para pós-produção. As fotos acima são scans do Frontier SP 3000 sem edição.

EMPURRAR/PUXAR

Dizemos empurrar ou puxar (do push/pull) quando fotografamos um filme a um ISO diferente da velocidade de caixa. Assim, empurrar é fotografar um filme de 100ASA a 400 e depois compensar essa discrepância na revelação.

Na verdade, nunca fui muito apologista de puxar ou empurrar na revelação de filmes, mas desde que abrimos o Film Lab, é normal realizar processos alterados, de acordo com as especificações de alguns clientes.

Durante as ultimas férias, chegou uma altura em que queria fotografar um evento ao fim da tarde. A luz disponível já era pouca e só tinha comigo APX100. Assim, alterei a marcação de ISO na camâra e fotografei um rolo de APX100@400.

A revelação foi feita tendo em conta todos estes factores, e a seguir partilho os resultados:

 

teste ao apx 100
 

 

teste ao apx 100
 

 

teste ao apx 100
 

 

teste ao apx 100
 

 

teste ao apx 100
 

 

teste ao apx 100
 

 

Como podem ver, o contraste aumentou bastante e o grão é mais pronunciado. A gama de cinzentos foi comprimida devido ao maior tempo dado ao revelador e muita da informação das sombras perdeu-se, como era de esperar. No geral, posso dizer que gosto muito deste resultado.

Resumindo, o APX100 é uma película versátil, com caracteristicas fantásticas apesar de não ser muito popular, apresenta uma boa gama dinâmica com um contraste fantástico; definitivamente um filme a usar!

 

 

 

Fotos sem edição realizadas nos Açores com uma Leica M6+summicron 35mm, reveladas no sitio do costume e digitadas num Fuji Frontier SP3000

 

Um café com Fernando Correia

Vejo o Fernando como um resistente, um fotógrafo da velha guarda, de uma geração em extinção.

Geralmente a preto e branco, a sua fotografia tem uma composição muito cuidada; com ambientes minimalistas, a exposição e contrastes das suas fotos estão sempre no ponto, fruto de anos de experiência e de um olho bem cuidado.

Nos anos 70, quando o Eric Kim não sonhava com fotografia de rua, já Fernando fotografava as ruas de Lisboa.

Dizem que gosta de fotografar pedras, calhaus e madeiras. ;)

Passo a palavra ao Fernando:

 

É verdade que sou da velha guarda. Provavelmente de uma geração em extinção! Quanto a isso nada posso fazer!

Devo o meu início à inveja. À inveja que sentia ao ver fotografias.Todas! Postais, de família, nas revistas, eu sei lá o que mais devorava com os meus olhos nesse tempo sem televisão. A inveja foi notada pelo meu pai que me ofereceu uma espantosa Kodak Brownie de lentes geminadas para o formato 127, aquele dos negativos 4x4.

Foi assim que comecei. Depois, foi a descoberta da luz e da película, e do local escuro onde se sujeitava o filme a um banho especial. Com 14 ou 15 anos revelava os negativos 6x6 provenientes dos roubos que ia fazendo à máquina do meu pai, uma espalhafatosa Rollei, e imprima-os por contacto obtendo assim “belíssimas” provas já com dimensão para se perceber o que lá estava. A “inspiração” e os temas vinham da família que aturava os meus constantes pedidos de ponham-se lá aí e de algumas paisagens por onde eu passava quando era levado em passeios ou viagens.

No início da década de 70, já dava os primeiros passos pelos concursos de fotografia, que ao contrário do que se possa pensar, naquela época abundavam. Datam dessa altura algumas coisas que eu fiz no extremo norte do país, no Algarve então ainda terra de pescadores e por Lisboa onde gastava muito do meu tempo livre.

 

A minha preferência pelo preto e branco é o resultado do meu processo de aprendizagem. Comecei com ele, “evoluí” com ele e acabei por ficar preso na sua representação da realidade.

Não quer isto dizer que recuse a cor. Nada disso. Simplesmente prefiro a simplicidade dos cinzentos. É mais fácil para mim. E depois, quando comecei a tentar entrar mais a sério, o Josef Koudelka, o Eduardo Gageiro, o Henri Cartier Bresson, o Irving Penn, o Jean Loup Sieff, o Bill Brandt, o Ansel Adams, o Edward Weston, decididamente mexeram comigo.

Tenho saudades do Kodak HIE e do Fuji ACROS. Dos outros nem tanto porque na verdade todas as películas sofreram grandes “evoluções” e quando se é nostálgico em relação, por exemplo ao Tri-X, na verdade a sua versão actual há muito que o tipo de emulsão, sais de prata e base, pouco têm daquilo que tornou o Tri-X o que ainda parece ser!

O Kodak HIE e o Fuji ACROS são casos especiais. O HIE porque foi criado e descontinuado com as mesmas características originais. Nomeadamente a inexistência da camada anti-halo.

A conjugação desta “falha” permitia obter um efeito que só com o HIE era possível e embora hoje existam alternativas interessantes, a coisa não é como com ele ….

Já o ACROS, relativamente recente criado pela Fuji, tem as características que eu vejo num filme moderno: grão fino, latitude de exposição, etc … O ACROS foi e ainda é, porque tenho um stock considerável em 120 e 4x5, quando revelado com RODINAL ou, como gosto mais, com HC110 a minha película de referência.

 

Costuma-se dizer que O GF é um campeonato à parte e será mesmo?

Primeiro há muita ignorância no que se diz e até para aprender com o doutor google é preciso mais qualquer coisa que olhos. Já escutei alguns artistas iluminados incluírem nesta designação coisas como impressões de grandes dimensões, ou negativos de 6x6 ou mesmo 6x9, etc..

O GF que conheço é um processo fotográfico que envolve, sempre, a utilização de uma película com dimensões iguais ou superiores a 9 cm de lado menor e 12 cm de lado maior.

Ora, como a era digital ainda não conseguiu produzir superfícies sensíveis à luz desta dimensão de forma que a sua comercialização esteja ao alcance do comum dos mortais, o GF ainda está acantonado no “velhos” materiais sensíveis à base de sais de prata, que precisam de revelação em câmara escura!

Acresce que por força do que acabei de dizer as máquinas que suportam este processo são também despidas de todas as tecnologias que democratizaram a fotografia: não há focagem automática, não há exposição automática da luz, não há compensação de movimentos, não há HDR, não há compensação de diafragma ou de obturador. Enfim, é preciso fazer tudo e tudo fica ao critério do fotógrafo. E aqui começam os problemas porque, como disse, o “fotógrafo” tem de ser capaz de tomar uma mão cheia de decisões de acordo com os ajustes possíveis e necessários face ao motivo que quer fotografar, naquele preciso momento.

E ainda por cima não pode falhar, só há uma oportunidade porque a superfície sensível é fornecida em folhas isoladas. Uma de cada vez é a filosofia.

Portanto nada de disparar uma série de fotogramas e ver qual delas ficou melhor. Na verdade a teoria do “momento decisivo”, que aliás não partilho mas que sou obrigado a respeitar tendo em atenção a multidão de fotógrafos e artistas que a seguem hoje em dia acompanhados de toda a tecnologia, se se pode falar disso, do momento decisivo, então será seguramente no GF!

Imaginemos que numa das máquinas digitais actuais era possível mudar de sensor de acordo com o que se estava a “tentar” fotografar? Que maravilha seria, sermos capazes de escolher o sensor adequado à circunstância, sem mudar de máquina!

Pois bem, é isso exactamente que se faz quando se escolhe esta ou aquela película para este ou aquele trabalho: dimensão e características da trama do grão, sensibilidade, revelador e para já não falar da dimensão. Esta é a grande vantagem da película face às soluções digitais existentes. É como se tivéssemos a possibilidade de trocar de sensor sempre que fosse necessário.

Sou realmente atraído pelas paisagens desumanizadas, quase estéreis, densas. São manias que modernamente dizem-se opções, para as quais não encontro explicação. É assim que sou.

 

 

Muito Obrigado Fernando, um abraço!

 

À conversa com Gonçalo Martins

Gonçalo Martins nasceu em 1975 em Portimão; desde cedo se interessou por fotografia.

Fotógrafo autodidata, começou o seu percurso com uma câmara digital, mas a insatisfação leva-o a a ler e aprender com grandes mestres da fotografia que usavam câmaras analógicas. Actualmente trabalha maioritariamente em película, faz fotografia fine-art (termo que o fotógrafo tem relutância para caracterizar a sua fotografia).

Conheci-o por causa de um negócio na web e algo que achei muito curioso foi um fotógrafo algarvio aleatório fazer fotografia de grande formato, quais são as probabilidades disso acontecer? :D

De onde vem o interesse pela fotografia?

Desde miúdo que era muito observador e sempre gostei da ideia de poder registar o que observava. E embora eu gostasse de desenhar, sabia que não tinha propriamente um dom. A fotografia e o vídeo sempre me acompanhou de alguma forma através do meu pai, mas foi na adolescência que desenvolvi mais o gosto. Pratiquei durante muito tempo skate, e ver vídeos e ler revistas sobre a modalidade era como um culto para mim. Nesse tempo já admirava os fotógrafos e as suas fotografias sobre skate. Em 2004 comprei uma câmara fotográfica Sony de 1.3 megapixeis e comecei a registar os meus amigos a andar de skate e aí o gosto pela fotografia começou-se a afinar. Comecei a ler algumas revistas sobre fotografia e o gosto a aumentar. Em 2006 num acaso de mais umas pesquisas pela net, e já com uma Nikon D70 em punho e com vontade de saber mais sobre o que era a fotografia, encontro a informação sobre um workshop de retrato ministrado pelo Nanã Sousa Dias. O retrato era algo que eu gostava particularmente, mas esse workshop já se encontrava cheio e prometi a mim mesmo que no próximo eu me inscrevia. O próximo que o Nanã deu foi de paisagem e na altura não era bem o que mais me interessava mas fui.
Aí obtive o meu primeiro e mais forte "choque frontal" em termos artísticos. A informação, o conhecimento adquirido e principalmente ver as fotografias ampliadas em papel a passarem por mim de um nível que eu até então eu desconhecia, até hoje ainda está na minha memória! E a paisagem virou também paixão.
Até à data eu desconhecia a fotografia como meio de se expressar algo mais profundo do que os simples registos sociais, recordo-me de ter visto algumas fotografias do Sebastião Salgado, mas que na altura considerava mais uns registos sociais de bom gosto. Os postais das falésias do Algarve, era o que eu conhecia como boas fotografias de paisagens. mas pouco me diziam.
Com o workshop do Nãna tudo mudou e sendo ele um fotógrafo que usa o analógico, o caminho estava aberto!
Até à data eu pensava que qualquer máquina digital, mesmo de 1.3 megapixeis eram melhores do que qualquer máquina dos anos 30 ou 40 e no workshop percebi o quanto estava errado.
A partir daí vendi o que tinha de digital e comecei a estudar o trabalho dos grandes mestres e nunca mais parei.
Montei o meu próprio laboratório, tive a oportunidade de fazer mais alguns workshops de laboratório, com o John Sexton (assistente do Ansel Adams) e Roman Loranc que me ajudaram a afinar alguns detalhes e hoje em dia fotografo 99% em analógico e tento replicar nas minhas fotografias o tal sentimento profundo que senti em 2006. Até ao momento acho que ainda não consegui! :)

 

Que equipamento costumas usar?

Eu fotografo desde o 35mm até ao Grande Formato 8x10".
Nikon FM2 e uma 50mm 1.4 para o 35mm, de Medio Formato, uso o sistema Pentax e Hasselblad com diversas lentes, desde o 50mm até ao 250mm. No Grande Formato 4x5" uso uma Linhof com lentes desde o 58mm ao 240mm e no 8x10" uma Intrepid Camera com a lente 240mm.

 

E películas?

Maioritariamente eu fotografo com película a preto e branco, esta é sem dúvida a minha paixão. Usei muito tempo o Fuji Acros 100, mas com a sua descontinuação e os preços exorbitantes, opto mais no 35mm e Medio Formato pelo Ilford FP4+ e o Kodak Tmax 400.
No Grande Formato uso o Fomapan 400 e Tmax 400.

 

Ainda processas os teus filmes? Se sim porque ainda o fazes?

Embora no meu caso a revelação dos filmes seja a altura menos criativa do processo e por isso para mim menos interessante, eu faço-o por uma questão de controle de como eu quero que sejam revelados, que revelador eu pretendo usar e também por uma questão económica (fica mais barato) e de tempo (mais rápido). O revelador que uso neste momento é o Pyro PMK.

 

Também amplias as tuas fotos, como caracterizas o tempo que passas no laboratório?

O tempo que passa no laboratório, é um dos melhores momentos deste processo! Assim que ligo a luz vermelha, entro num novo mundo e eu adoro aquele ambiente, calmo mas tenso, do silêncio mas ao mesmo tempo com alguns sons aqui e acolá, do cheiro, das tentativas e erros, do andar entre o ampliador e a zona dos químicos, da conversa que vou tendo comigo mesmo sobre o que devo manter e o que devo alterar, é o lugar onde a criatividade é quem manda . Sem dúvida é um tempo mágico, principalmente quando as coisas correm bem:)

 

Porquê Grande Formato?

O Grande Formato está num "campeonato" diferente em relação ao 35mm e Médio Formato, é quase como a Formula 1 da fotografia analógica. É um sistema que tem as suas vantagens e desvantagens tal como os outros. Mas principalmente o detalhe, a suavidade de transição nas gamas de cinzento e a possibilidade de fazer grandes ampliações sem perda de qualidade é o que me atrai. Quando se olha para o despolido de uma câmara 8x10" percebe-se bem esta diferença entre vêr um filme no telemóvel ou no cinema :)

 

Musas ou fotografia de paisagem? O que te define melhor?

Depende muito do estado interior em que me encontro, mas na verdade eu gosto muito de fotografar e sinto-me contente em que situação for, desde que esteja a tirar fotografias!
No entanto a paisagem, a natureza tem um poder especial sobre mim. Uma das coisas que mais gosto é sair de casa ainda de noite,sentir o frio da manhã, a mochila carregada de películas e ver a luz do sol nascer.
O retrato e a figura humana é algo que ainda pretendo explorar mais, é muito importante ter uma boa relação com a modelo para que os resultados sejam satisfatórios, com a natureza essa relação já existe desde o momento em que nascemos, nada é forçado.

 

Numa época em as câmaras digitais estão tão difundidas e é tão fácil fotografar, porque insistes em usar película?

Ser um fotógrafo que usa película, revela os seus filmes e amplia os seus próprios negativos á semelhança do passado tem tudo a haver comigo. Eu não sou uma pessoa hi-tech, gosto de estar informado, mas não gosto do marketing consumista das marcas para os consumidores. Ao usar analógico não estou preocupado com grandes revoluções tecnológicas que surjam, com novos gadgets, para mim quanto mais simples melhor, e o próprio sistema analógico é mais simples. Uma câmara de Grande Formato é dos equipamentos mais básicos e de uma qualidade impressionante que existe.
Outro dos motivos é que com o analógico não tenho de estar horas à frente de um computador, gosto muito de poder usar as minhas mãos como ferramenta para criar a fotografia em papel. A parte táctil do processo é muito importante para mim, consigo criar uma ligação mais próxima com este tipo de abordagem do que clicar um botão e sair uma impressão a jacto de tinta. No entanto também não sou nenhum purista e vejo as vantagens inquestionáveis do digital.

 

Referências na fotografia?

Como referências tenho o Nanã Sousa Dias que a par com o Eduardo Gageiro e Artur Pastor, são para mim os melhores fotógrafos portugueses e como estrangeiros há sem dúvida um leque enorme, tais como o Ansel Adams. Brett e Edward Weston, Cristopher Burkett, Roman Loranc, Bill Brandt, Ruth Bernhard, John Sexton, Michael Kenna, Robert Mapplethorpe, Jean-Loup Sieff, Joseph Holmes, Sebastião Salgado, Irving Penn....

 

O que te inspira?

A luz no nosso planeta, o sorriso dos filhos, o silêncio de um nascer ou pôr-do-sol, o vivermos no mistério da vida, o não sermos perfeitos, o querer aprender, de todos os dias termos mais uma hipótese de melhorar algo e de fotógrafos que usam o analógico :)
O fotógrafo japonês Masao Yamamoto, descreveu o que eu mais procuro na fotografia de uma forma simples e direta:
"Para mim uma boa fotografia é aquela que nos acalma. Nos faz sentir bondosos, gentis. Uma fotografia que nos transmita coragem, que nos traga boas lembranças, que faz as pessoas felizes" .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Gonçalo dá workshops de laboratório; desde a captura da imagem, revelação dos rolos e ampliação. Podem-no encontrar pelo Instagram na conta @gelatinadeprata.

 

Sagrada Película de cara lavada

Faz algum tempo que queria uma actualização à marca gráfica do projecto, pretendia uma imagem nova, algo fresco e moderno.

 

Podia tê-lo feito, mas sei que o resultado final não seria o mesmo se fosse feito por um profissional; falei com o designer Márcio Silva e depois de expôr o projecto ele embrenhou-se no desenvolvimento. Não podia estar mais satisfeito! Obrigado Márcio.

 

Algumas considerações do designer:

A paixão revelada pelo filme de fotografia, a tradição no processo analógico como ainda a ambição na construção de laboratório para efeito esteve sempre expresso em reunião, “(...) pode parecer contraditório, mas penso que a nova imagem deva transmitir modernidade mas, com um pé na tradição não fosse tratar-se de fotografia analógica que usa processos químicos centenários em pleno século XXI (...)”. Premissa que obtém foco em projecto, no qual da exploração técnica de escrever à mão segundo os modelos do estilo gótico, ressalte-se as Gotiques de Duq De Berry, o principiar de todo o processo do redesenhar da identidade visual - Sagrada Película. Na condução a uma simplicidade de fácil interpretação, resultou não só, em composições de lettering ritmadas e regulares numa grelha interposta, bem como esteve possível encerrar uma mensagem de crescimento na exploração das peças individuais como dos seus conjuntos.

 

A seguir a animação do percurso até à nova marca gráfica:

 

 

Nova marca gráfica:

 

 

Nos próximos dias vamos propagar esta alteração a todas as redes sociais, mais novidades para breve!

 

Podem ver outros trabalhos do Márcio Silva aqui

 

 

Considerações sobre o Pyrocat HD

Rolo de ilford HP5+
 
Escolher o revelador que mais se adequa a nós, à forma como usamos determinada película e aos resultados que queremos obter, é um dos aspectos mais frustantes, ou interessantes, de usar película fotográfica.
 
O que funciona para uns, não funcionará para outros, seja porque todos nós temos o nosso processo de revelação, seja porque usamos água com diferentes composições minerológicas.
 
Quando mudei do Kodak Tri-X para o HP5+ da Ilford, re-apareceu a questão da revelação. Durantes uns tempos tentei e tentei continuar a utilizar o XTOL, revelador que, quando emparelhado com o Tri-X produz resultados lindissimos. Mas de imediato se tornou evidente que o XTOL não me iria deixar feliz com o HP5. Ele funciona, mas os resultados saem ásperos, carregados no contraste (em demasia) e com as sombras completamente esmagadas.
 
Depois de experimentar uns quantos, e por sugestão de alguém de quem me esqueceu do nome, descobri o Pyrocat HD. As primeiras experiências foram desastrosas. Tratei-o como se do XTOL se tratasse, formula do  Massive Dev Chart, e os resultados foram horriveis. Rolos totalmente destruidos, com riscos verticais acentuados, zonas com revelação irregular, grão tão grande que, como diz o outro, só fica a faltar o bacalhau. Enfim, uma porcaria pegada.
 
Ao fim de umas tentativas encontrei a "minha" fórmula, que resulta muito bem com os meus HP5+. Com esta fórmula, que descrevo abaixo, consigo fotogramas com contraste médio/alto, mas a reter alguma informação nas sombras, com uma gama dinâmica interessante, sem ser uma grande mancha de cinzentos. O grão está presente, mas sem ser uma personagem principal. As linhas são suaves, nada de transições bruscas, seja nas linhas rectas ou nas mudanças de tonalidade. Estes fotogramas digitalizam muito bem e não são dificeis de ampliar.  
 
 
Vamos ao que interessa:
 

Fotografar para Pyrocat

 

  • HP5+ a ISO 320
  • FP4+ a ISO 100

Preparar o revelador 

O Pyrocat é disponibilizado em duas partes, parte A e parte B. Têm que se misturar as duas para cada revelação. Elas devem ser mantidas em separado até à preparação da revelação. A diluição mais comum, e que eu uso, é de 1 + 1 + 100, ou seja 1 parte A + 1 parte B + 100 partes água.
 
Rolo de ilford HP5+
 
 
Como sou meio preguiçoso nas contas, e arredondando a coisa, dá a seguinte razão para um rolo de 35mm (em tanques Patterson):
 
  • 3 ml de parte A
  • 3 ml de parte B
  • 300 ml de água

 

Para 2 rolos de 35mm ou 1 rolo de 120:
 
  • 6 ml de parte A
  • 6 ml de parte B
  • 600 ml de água

 

 
Rolo de ilford HP5+
 
 
Ao contrário do XTOL, em que a temperatura ideal ronda os 20ºC, para mim o Pyrocat funciona melhor entre os 21ºC e 22ºC. Normalmente no Inverno aqueço o revelador até os 22ºC porque durante a revelação ele irá arrefecer. No verão arrefeço para os 21ºC.
 
Rolo de ilford HP5+
 
Mas na realidade, entre os 20ºC e os 22ºC o Pyrocat funciona bem, mas não convêm sair muito deste intervalo, pois Pyrocat não é tão tolerante a variancias térmicas como outros reveladores mais comuns.
 
 

Revelar com Pyrocat

Depois de tudo preparado, chega o momento de trabalhar. Pyrocat não é um revelador de alta energia, o que significa, que têm de ter alguma paciência quando estão a revelar com Pyrocat. Ao contrário de Rodinal, que é possivelmente o revelador de alta energia mais comum, que revela em 7 a 9 minutos, Pyrocat demora 18 minutos a cumprir a sua função.
 
Sim é um pouco, mas por outro lado, durante esses 18 minutos, a nossa intervenção é miníma, pelo que podemos facilmente preparar o próximo tanque e manter múltiplas revelações em simultâneo.
(dica, numerem os tanques)
 
Rolo de ilford HP5+
 
 
O meu processo é agitar os primeiros 30 segundos e realizar duas inversões a cada 4 minutos. Ou seja:

 

  1. Agitar durante os primeiros 30 segundos
  2. Tapar o tanque
  3. aos 14 minutos (ou 4m se não usarem um temporizador decrescente) duas inversões (não esquecer das pancadas no final)
  4. aos 10 minutos (ou 8m se não usarem um temporizador decrescente) repetir o ponto 3
  5. aos 6 minutos (ou 12m se não usarem um temporizador decrescente) repetir o ponto 3
  6. aos 2 minutos (ou 16m se não usarem um temporizador decrescente) repetir o ponto 3
  7. aos 0 minutos (ou 18m se não usarem um temporizador decrescente) verter o conteúdo.
  8. Aplicar Banho de Paragem
  9. Aplicar Fixador
  10. Lavar e já está
 
A solução de Pyrocat é de uso único, pelo que ao final de cada revelação, a solução usada vai fora.

 

As inversões não devem ser muito vigorosas, nem muito frequentes. Para mim esta lógica de 4 minutos / duas inversões resulta lindamente. Se aparecerem marcas verticais nos negativos, é porque estás a aplicar demasiado entusiasmo nas inversões.
 

Parar e Fixar

Deves usar Banhos de Paragem e Fixadores Ácidos e não alcalinos, ou seja, aquilo que (provavelmente) já usas serve perfeitamente. Eu uso o Banho de Paragem e Fixador Rápido da Ilford e funciona lindamente.
 

Lavar

Faz como sempre fizeste.
 

Resultados

Bom, isso é muito relativo, pois se mostrar imagens finais, estas foram digitalizadas e processadas (normalmente apenas contraste, níveis e limpeza de pó), pelo que não seriam grandes indicadores do resultado final. Tendo dito isto, eis algo negativo e algo positivo. Não são do mesmo rolo, mas dá para ter uma ideia do que se consegue com este revelador e HP5+.

 

Rolo de ilford HP5+
 
 
Rolo de ilford HP5+
 
 
Rolo de ilford HP5+
 
 
Rolo de ilford HP5+


 

Onde Comprar

Ebay. Aqui podes comprar os ingredientes e preparas tu a solução base, ou comprar a solução base já feita. Vais encontrar duas versões do Pyroca HD, um com Etanol e outro sem. Com Etanol é ligeiramente mais caro, mas a solução é muito mais estável, o que significa que te consegue durar mais do dobro da solução sem Etanol, que dura cerca de 6 meses depois de aberta. Não reparei em diferenças na revelação entre a versão com e sem Etanol.
 
Ou fazes tu. A formula é pública, e se fores habilidoso(a) força, mas para o resto dos morais, Ebay é a melhor opção.
 

Notas Finais

Estou muito feliz com o Pyrocat para a película HP5+ e FP4+ da Ilford. Para outras películas os resultados que tenho obtido deixam um pouco a desejar, mas para estas duas, é ouro sobre azul.
No entanto, caso pretendas puxar o HP5+, Pyrocat não é uma boa opção, pois sendo um revelador de baixa energia, não só os tempos de revelação sobem imenso a cada stop puxado, como vai perdendo gama dinâmica muito rapidamente.

 

 

Artigo escrito por Rui Esteves, publicado originalmente no seu blog Barba ao Vento

 

PS- Se precisarem de outros volumes de química podem usar a nossa calculadora de diluiçoes para ajudar a fazer as contas ;)